22/01/12

Mistérios de uma estranha, generosa e abafada doação milionária ao PSDB

Passados 14 meses da derrota na eleição presidencial, soube-se que o partido contou naquela campanha com uma generosidade milionária de uma socialite brasiliense

 
dinheiro psdb
Na expectativa de ser alvo de uma CPI na volta das férias dos deputados, por causa do livro-denúncia A Privataria Tucana, o PSDB começa 2012 com outra notícia embaraçosa. Depois de 14 meses da derrota na eleição presidencial, soube-se que o partido contou naquela campanha com uma generosidade milionária de uma socialite brasiliense cujo marido foi flagrado em vídeo pagando propina num esquema que derrubaria um governador do Distrito Federal.

Ana Maria Baeta Valadares Gontijo fez sete doações entre agosto e novembro de 2010 à direção nacional do PSDB, num total de R$ 8,250 milhões. Foi a maior contribuição de uma pessoa física naquela campanha, sendo que a última, de R$ 350 mil, foi informada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com data de 26 de novembro, quando a eleição já tinha terminado. A direção tucana declarou ao TSE ter arrecadado R$ 100 milhões em 2010.


Em tese, os recursos – os R$ 8,2 milhões de Ana Maria e os R$ 100 milhões no geral - podem ter sido distribuídos a todos os candidatos tucanos e a aliados do PSDB pelo país. Na prestação de contas do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, entregue ao TSE, não há registro de contribuições da socialite. A maior parte foi carimbada como sendo contribuição do comitê nacional tucano.

O que há de potencial para aproximar Serra e Ana Maria é o governador que acabou defenestrado do comando do Distrito Federal por causa do “mensalão do DEM”. José Roberto Arruda, que era do DEM, perdeu o cargo depois de um auxiliar, Durval Barbosa, ter passado à imprensa gravações em áudio e vídeo que mostravam políticos recebendo e empresários entregando dinheiro. Um desses empresários era José Roberto Gontijo, sócio de empreiteiras que fazem negócios em Brasília.

A uma CPI que em 2010 investigou parte do esquema, Barbosa disse que a gravação com Gontijo mostrava o empresário pagando propina para políticos brasilienses em retribuição a uma empresa dele chamada Call Tecnologia e Serviços ter ganho licitações.

A propina recebida pelos políticos servia para comprar apoio ao então governador Arruda entre deputados do Distrito Federal, para custear a boa vida deles e para financiar campanhas futuras.

A denúncia sobre o mensalão do DEM veio à tona em dezembro de 2009. Naquele mesmo ano, Serra, que já era pré-candidato a suceder o ex-presidente Lula, mantinha boas relações com Arruda, o único governador do DEM na época e potencial candidato a vice.

Em um compromisso público em Brasília ao lado de Arruda pouco antes do escândalo, Serra chegou a brincar: “Se eu definisse algo no plano nacional e ele viesse junto, o lema seria 'vote num careca e leve dois'”.

O tucano acabou tendo mesmo um vice do DEM na disputa presidencial, o então deputado federal Índio da Costa (RJ). Não há doações para Índio ou o DEM em nome de Ana Maria na prestação de contas que ambos entregaram ao TSE.
 
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15/01/12

Direitos Humanos - Punição para os crimes de guerra

 

 

As atrocidades cometidas por soldados americanos no Iraque e no Afeganistão são conhecidas ao redor do mundo, graças às ferramentas da internet ao alcance de qualquer um que disponha de um computador.

Assim, por exemplo, é possível encontrar na web desde um video que mostra soldados americanos tomando um pequeno cão como bola, jogado de um lado para outro, até as humilhantes fotos de prisioneiros iraquianos em Abu Ghraib, tratados como animais, até chegar ao estúpido episódio do massacre de Haditha.

Sobre este último, aliás, vale dizer que  está sendo julgado esta semana, por uma Corte Militar na Califórnia,  o sargento Frank Wuterich (na foto, ao lado de seu advogado), acusado de ter ordenado um dos mais bárbaros crimes contra civis desarmados no Iraque.

O depoimento do soldado Steven Tatum,  do pelotão liderado pelo sargento, clareia o que aconteceu naquele dia 19 de novembro de 2005. Tatum contou que ele e seus companheiros obedeceram à ordem do sargento de “limpar” uma área onde havia “fogo hostil”. Tatum afirmou que a ordem do sargento veio em forma de vingança, depois de um veículo militar estadunidense ter sido  atingido por uma bomba numa rodovia próxima.

No ataque, que ficou conhecido como O Massacre de Haditha, os militares americanos abriram fogo de metralhadora e atiraram granadas durante 45 minutos, matando 24 iraquianos, inclusive sete crianças, todos desarmados.

O sargento Frank Wuterich é o último dos oito marines inicialmente acusados de assassinato ou de não investigar os assassinatos. Os outros sete já estão livres de culpa.

Aqui, vale destacar que o massacre de Haditha só chegou ao conhecimento público graças à investigação de um repórter da revista Times, publicada dois meses após o incidente. O que nos leva a imaginar quanto coisa tem sido escamoteada do público, quando a mídia não informa por desconhecimento ou por má-fé.


O episódio virou filme, em 2007, com o título de “Battle for Haditha”.  Um título infeliz, porque naquele dia não houve batalha alguma, o que aconteceu foi um ato covarde e cruel praticado por um grupo de soldados armados até os dentes contra civis desarmados e inocentes.
Mas em matéria de indignidade, nada pode ser comparado ao video e fotos divulgadas com destaque pela mídia estadunidense nesta quarta-feira.


A imagem é chocante, apesar de cruel e indigna. São  quatro marines que aparecem em um vídeo urinando em cadáveres de afegãos mortos. O clipe tem 40 segundos e foi postado no site www.liveleak.com por um anônimo que identificou os quatro como pertencentes ao terceiro batalhão dos marines baseados em Camp Le Jeune, Carolina do Norte.

Os quatro, vestidos com uniforme de combate, estão de pé com seus órgãos genitais expostos e se aliviam em cima de três cadáveres,  não se sabendo se eram insurgentes ou civis. Enquanto urinam, tripudiam dos mortos. Um deles diz: “tenha um ótimo dia, amigo”. Outro completa:  “... é uma chuva dourada”.


O comando dos Marines prometeu investigar. Mas promessa é pouco, muito pouco. É preciso muito mais, tal a gravidade do fato. Falta uma  nota official do próprio governo dos Estados Unidos, repudiando severamente o ato repugnante que vai contra todos os regulamentos militares e as leis internacionais, com um pedido de desculpas e a garantia de que os culpados serão punidos exemplarmente.

Enquanto isso não acontece, o video é um ótimo material para que os insurgentes talibãs o usem para alimentar o ódio aos EUA e recrutar mais voluntários para a causa. E, certamente, vai desencadear uma nova polêmica diplomática entre Washington e Kabul.

Por Eliakim Araujo

07/01/12

Governadores tucanos descumprem promessas antienchente

O governo de Minas Gerais, Estado que já registra dez mortes pelas chuvas neste ano, não cumpriu promessas de 2011 para combater enchentes.

Em janeiro do ano passado, o governador Antonio Anastasia (PSDB) viajou para áreas alagadas em Pouso Alegre, Itajubá e Santa Rita do Sapucaí e prometeu barragens para os rios da região. Um ano depois, elas ainda não existem.

Em Pouso Alegre, uma das obras prometidas, um dique, está sendo concluída com recursos do PAC (da União) e da prefeitura. Não há dinheiro do Estado, diz o município.

A promessa de barragens já fora feita em 2007 pelo antecessor de Anastasia, Aécio Neves (PSDB), hoje senador.

Desde o início do período chuvoso, em outubro, 12 pessoas morreram em Minas -dez em janeiro. Ontem, um homem e uma mulher morreram soterrados numa casa em Governador Valadares.

Já em Belo Horizonte, o governo mineiro -com Aécio e Anastasia- investiu R$ 205 milhões em obras contra enchentes no ribeirão Arrudas.

O Estado põe recursos (12% do total) e administra a obra, financiada por União (75%), BH e Contagem (6% cada).

A Prefeitura de BH, gerida pelo aliado Marcio Lacerda (PSB), e o Estado se juntaram para fazer estudos hidrológicos e hidráulicos para obras que possam minimizar inundações nas bacias dos córregos Pampulha e Cachoerinha.
 
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